Exemplo
165 anos dedicados às meninas em vulnerabilidade
Nossa Senhora da Conceição é a instituição mais antiga da cidade em funcionamento e na segunda-feira comemora aniversário
O Instituto Nossa Senhora da Conceição comemora mais um aniversário nesta segunda-feira. São 165 anos de atenção a meninas em situação de vulnerabilidade social, com atendimentos psicossociais e da saúde como um todo. A instituição é a entidade mais antiga em atividade em Pelotas e está localizada na rua Barão de Butuí, 352. Atualmente, o serviço é oferecido a 75 meninas, além de suas famílias.
A instituição, que presta o serviço de convivência e fortalecimento de vínculos, visa a unidade familiar e os melhores cuidados com as meninas. O objetivo é identificar as dificuldades e auxiliar na resolução destes problemas. “A gente sempre busca fortalecer a família. Nosso trabalho é encontrar formas para que estes vínculos sejam fortalecidos, para que não haja a necessidade de que a criança seja tirada do lar por um órgão público. Nós entendemos que a família é sempre a melhor opção e trabalhamos a família como um todo”, explica a coordenadora técnica e assistente social Maristela Letzow.
Dentro desta modalidade de atuação, o Instituto não leva em consideração apenas o fator renda para conceituar uma menina em situação de vulnerabilidade social. São priorizadas crianças que tenham sofrido com ações de trabalho infantil, violência doméstica e que estejam inseridas em um contexto nocivo para a sua formação. Estes critérios são fruto de um estudo nacional que prevê uma série de ações de planejamento de abordagem e trabalhos junto às crianças. “A gente percebe dificuldades como desemprego, violência e busca auxiliar estas meninas”, destaca Maristela, que já atua há dez anos na instituição.
Em meio à pandemia, a instituição precisou se remodelar para seguir com os atendimentos. Com a parceria do Banco de Alimentos de Pelotas e do programa Mesa Brasil, foi garantida a continuidade dos trabalhos na quarentena. São atendidas crianças entre seis e 12 anos, que estão divididas em três turmas de 25 meninas, conforme a faixa etária. Nestas divisões, as crianças têm recebido atendimentos on-line. “Nós ligamos sistematicamente para elas e monitoramos como estão vivendo este período de quarentena. Fornecemos o apoio psicológico para ajudá-las a lidar com este momento”, contou a assistente social.
Proteção
A pandemia irá modificar, mas não impedirá as celebrações do aniversário da instituição. As meninas, que já estavam divididas em três turmas, foram separadas em grupos ainda menores para irem até o local e receberem um presente em homenagem ao aniversário do Instituto. Os colaboradores irão montar uma decoração e as meninas irão comparecer nestes pequenos grupos, em horários espaçados entre 13h e 16h, e receberão uma medalha abençoada de Nossa Senhora da Conceição, padroeira da instituição. “Teremos um padre abençoando estas medalhas que elas irão receber. Vamos presenteá-las como uma proteção neste período de pandemia, como uma forma de reforçar que nos preocupamos com elas. Cada uma irá ganhar uma medalha, mas elas não irão permanecer no local. Elas só irão buscar, mas não ficarão aqui para evitar aglomerações”, explica Maristela.
Além das atividades realizadas no local, o convite feito a Dom Pedro II (Foto: Reprodução)
História
O Instituto foi fundado ainda na era do Império, durante o II Reinado. Em 1855, duas lojas maçônicas tiveram a ideia de criar uma instituição que auxiliasse as meninas que eram abandonadas pelas mães ou que moravam nas ruas. Uma das lojas maçônicas acabou fechando as portas - a outra segue aberta na rua Andrade Neves - e, na estrutura onde funcionava a ordem, foi criado o Asilo de órfãs desvalidas Nossa Senhora da Conceição. “Foram chamadas as irmãs da ordem de São Francisco de Assis para tomar conta das crianças. Na época, Dom Pedro II foi convidado para a cerimônia de inauguração e para ser o protetor do local. Alguns anos mais tarde, ele visitou pessoalmente o local, junto com a Princesa Isabel, com a instituição já consolidada para acompanhar os trabalhos”, conta o presidente do Instituto, Alfredo Osório.
Ajude!
Quem quiser colaborar com a instituição, basta entrar em contato através do telefone (53) 3222-4089 ou (53) 99987-0008. As principais demandas são de materiais de higiene e limpeza, alimentos e suporte financeiro.
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